Vereadores de Caxias adiam votação de reajuste para professores e evidenciam indigestão entre base aliada e prefeito Gentil

Por RM

Postado em 31/01/2019 12:16:14



 

Foto: Ascom/CMC

O surpreendente resultado da convocação extraordinária da Câmara Municipal de Caxias nesta quarta-feira (30) acendeu a luz de alerta no Palácio da Cidade. Era para ter sido tudo muito simples e rápido. Mas não foi, não. A esperada aprovação do projeto de lei de autoria do Poder Executivo, que reajusta em 4,17% o piso salarial do magistério público municipal da educação básica para o ano de 2019, restou frustrada e ficou pendente para a próxima semana, depois que a Mesa Diretora da Casa acatou pedido de vistas do vereador Jerônimo (PMN). 

O pedido de vistas feito pelo vereador Jerônimo não deveria suscitar maiores debates externos ao ambiente da vereança. Trata-se de instrumento legal e está entre as prerrogativas de qualquer parlamentar. De tão recorrente que é, nem deveria causar espanto.

O problema é que a iniciativa do edil destoa da maneira usual como ele tem se portado na Casa do Povo, onde, na maioria das vezes, costuma entrar mudo e sair calado das sessões – salvo naqueles dias de insatisfação pelo anunciado corte de verbas municipais para a gloriosa Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae/Caxias), entidade há décadas controlada pela família do edil. Mas isto foi no começo da legislatura, aqueles dias já ficaram para trás.

É fato que o Palácio da Cidade tinha interesse que a votação da matéria fosse o mais breve possível, até para tentar pacificar a relação com o sindicato dos professores que se deteriorou, desde que o órgão representativo da categoria passou a cobrar publicamente, além do reajuste salarial, o abono da sobra do Fundeb (2018/2019) e a ampliação da segunda jornada.

Jerônimo aniquilou as pretensões do governo ao atravessar o pedido de vistas que, na prática, adia a votação do projeto de lei. Mas ele não esteve sozinho na empreitada.

Fora os vereadores da oposição – Thaís Coutinho (PSB), Edilson Martins (PSDB) e Tevi (SD) –, também se manifestaram favoráveis ao adiamento os governistas Magno Magalhães (PSD), Sargento Moisés (PSD), Repórter Puliça (PRB) e Darlan (PHS). 

Portanto, cinco dóceis vereadores governistas atuaram para adiar a votação de um projeto de lei considerado de extrema urgência para os interesses do Palácio da Cidade. Sinal evidente de alguma indigestão na base aliada do governo.



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Sobre Ricardo Marques

Advogado (OAB/MA 9572)
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