Senador Weverton propõe diálogo para definir posição do Maranhão no Acordo sobre a Base de Alcântara

Por RM

Postado em 29/03/2019 11:31:46



Weverton Rocha, ao lado da senadora Kátia Abreu (TO), na reunião com o ministro Marcos Pontes (cabelo grisalho) no Senado sobre o uso da Base de Alcântara

“É importante conversar, esclarecer todos os pontos, melhorar o que precisa ser melhorado”. Com essa frase, o senador Weverton Rocha (PDT) definiu o ânimo que começa a dar rumo coerente à posição a ser construída pelo Maranhão no contexto em que o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) funcionará sob as regras do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) firmado, firmado há duas semanas entre Brasil e Estados Unidos. O AST, como é sabido, abre o CLA para ser usado comercialmente pelos EUA, com a possibilidade de faturar pelo menos U$ 3 bilhões por ano. A manifestação do senador foi feita ontem durante audiência em que as Comissões de Ciência e Tecnologia e de Relações Exteriores do Senado ouviu o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontos, sobre o assunto. 

O ministro Marcos Pontes, que é astronauta e conhece em profundidade os prós e contra da corrida espacial, defendeu entusiasmo o AST, afirmando que a soberania nacional não está sob risco nem há qualquer possibilidade de que os EUA venham usar o CLA para fins militares. Ao longo das suas respostas, explicou que o texto assinado em Washington pelos presidentes Jair Bolsonaro (PSL) e Donald Trump é uma versão “revista, atualizada e melhorada” do acordo proposto em 2000 pelo Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mas que foi rejeitado pelo Congresso Nacional. Ele admitiu, no entanto, que há aspectos que poderão ser melhorados, como o impacto dessa movimentação do CLA sobre as comunidades quilombolas que vivem no entorno da Base de Alcântara e sobre a secular cidade de Alcântara, por exemplo. Mas ressalvou, de maneira prudente, que fará o que for preciso para que o impacto sobre essas comunidades seja positivo, a começar pelo fato de que Alcântara será beneficiada com parte dos recursos que serão pagos ao Brasil e ao Maranhão pelos lançamentos feitos no CLA.

Atento às palavras do ministro, o senador Weverton Rocha ponderou que antes de qualquer iniciativa concreta no sentido de viabilizar o AST, é necessário ouvir as expectativas e as preocupações do Governo do Estado, argumentando que, mesmo sendo entusiasta do potencial do CLA, o governador Flávio Dino (PCdoB) tem preocupações que precisam ser discutidas. O mesmo se dá em relação às lideranças de Alcântara e da região que fica no entorno do CLA. Weverton Rocha propôs o diálogo aberto e franco entre a União, o Estado e o Município como a melhor alternativa para construir soluções que beneficiem as três esferas.   Na opinião do senador, por meio do diálogo será possível encontrar consenso sobre pontos mais sensíveis, como o respeito à soberania nacional, contrapartidas para o estado e o município e apoio às comunidades locais.

A intervenção do senador Weverton Rocha deixou o ministro da Ciência e Tecnologia animado. Marcos Pontes manifestou claro interesse pela proposta de diálogo direto com o governador Flávio Dino colocando-se à disposição de deslocar-se até São Luís para aprofundar a conversa numa reunião de trabalho que contará também com a presença do prefeito de Alcântara, Anderson Araújo (PCdoB), parlamentares e acadêmicos maranhenses. “É importante ir no estado discutir o que pode ser feito e como pode ser feito para ajudar no desenvolvimento da região”, afirmou Marcos Pontes, cuja tarefa no momento é convencer deputados federais e senadores de que o AST é bom para o Brasil. Sabe que se não contar com a simpatia dos congressistas maranhenses o AST poderá ser de novo ser rejeitado pelo Congresso nacional. Ter o governador Flávio Dino e o prefeito Anderson Araújo como aliados é fundamental. 

Pragmático e preocupado em evitar um conflito de interesses, o senador Weverton Rocha lembrou que no passado houve muita expectativa das comunidades de Alcântara com as vantagens que a base poderia trazer, mas pouco se avançou nesse campo. E se declarou a favor do Acordo, desde que ele contribua efetivamente para o desenvolvimento do município e do estado. “Nós iremos acima de tudo defender as pessoas e defender o país”, concluiu o senador, exibindo postura firme e posição enfática no trato de questões sensíveis envolvendo o Maranhão.  

Fonte: Repórter Tempo

Veja também a reportagem da TV Difusora (aqui)



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  2 comentários:

Por: Francisco Assunção

Vamos aproveitar as oportunidades, o Maranhão não pode viver as margens do desenvolvimento.



Por: Francisco Assunção

Vamos aproveitar as oportunidades, o Maranhão não pode viver as margens do desenvolvimento.



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Sobre Ricardo Marques

Advogado (OAB/MA 9572)
Jornalista (904/MA - MTE)
Radialista (3586/CE - MTE).

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