PT entra com representação contra prática que aperfeiçoou

Por RM

Postado em 10/07/2019 08:47:47



O PT entrou com representação na Procuradoria Geral da República para que seja investigada a liberação de emendas parlamentares às vésperas da votação da reforma da Previdência. O partido considera que a liberação dos recursos pode configurar compra de votos para aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC). O partido quer que sejam investigados o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), e da Economia, Paulo Guedes.

A suspeita do PT faz sentido. Até porque, reza o dito popular, quem disso usa disso cuida. O PT sabe do que está falando porque aperfeiçoou e levou essa prática de liberar emendas como moeda política a patamares nunca antes vistos. Foi método usado nas mais diversas ocasiões. Em meados de 2009, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a liberar R$ 1 bilhão em emendas. Em oito anos de governo Lula, a liberação de emendas saltou 550%.

Naquela época, o hoje presidente Bolsonaro denunciava a situação. Em 2011, ele concorreu a presidente da Câmara e disse exatamente que a liberação de emendas era usada para comprar votos de parlamentares e corromper a independência da Câmara.

O papel das emendas, dentro da lei e além

Uma coisa é preciso salientar. As emendas não são para o bolso dos parlamentares. São recursos liberados para obras nos municípios que os congressistas representam. São indicadas por eles a partir das demandas dos redutos eleitorais. E aí, importante reforçar, os parlamentares são eleitos para isso mesmo. Para representar quem os elegeu e levar as demandas. Não tem nada de criminoso nisso.

O problema surge quando o governo retém esses recursos e libera conforme a conveniência política. Quando transforma em moeda de barganha, em toma lá, dá cá.

O jogo das hipocrisias

Tem gente que reclama quando comparo as incongruências dos dois lados. Ora, o que há é um grande jogo de hipocrisias. Bolsonaro se vale da prática que criticou. O PT denuncia como criminosa a ferramenta que usou à exaustão.

E, bem, não dá para achar bonito quando Bolsonaro faz e dizer que é um absurdo quando é com o PT. Nem para aplaudir quando parte do PT e condenar quando é com Bolsonaro. Errado é errado e certo é certo. Quem esperar que essa gradação seja feita conforme o alinhamento político está lendo a coluna errada.

 

Fonte: Érico Firmo/ O Povo



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Sobre Ricardo Marques

Advogado (OAB/MA 9572)
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