Proposta de Dino sinaliza que lulismo pode ter superado estágio de negação

Por admin

Postado em 09/05/2018 10:07:51



A proposta do governador Flávio Dino (PCdoB) – estampada no jornal Folha de São Paulo –, que sugere aos partidos de esquerda alinhados ao lulismo, inclusive o próprio PT, abrirem mão de suas pré-candidaturas para apoiar Ciro Gomes (PDT), evidencia que a rapaziada, finalmente, pode ter conseguido superar o estágio de negação – aleluia! – e chegado à fase de aceitação quanto à impossibilidade de Lula disputar a eleição presidencial de outubro vindouro. 

Flávio é uma das vozes mais respeitadas da esquerda, tem força de convencimento e sentido de bússola. Até aqui, o próprio governador do Maranhão jamais havia sequer ventilado tal possibilidade. Pelo contrário, com a propriedade de quem foi juiz federal, o mandatário maranhense questionava a legalidade da condenação de Lula da Silva. Talvez o questionamento do comunista ainda persista, mas a proposta a favor de um alinhamento em torno de Ciro deixa explícito que a fase de negação passou – ou estaria passando -, chegando-se à aceitação da realidade – o líder petista está fora do páreo, não tem jeito.    

Também pode ser que a declaração de Flávio tenha sido estratégia. Talvez para atenuar a malfadada fala da presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, que dia desses falou que “Ciro não passa no PT nem com reza brava” – que besteira, ainda mais para a presidente de um partido que venceu as quatro últimas eleições presidenciais, mas que agora, castigado por dezenas de condenações por crimes de corrupção e afins, não tem entre suas fileiras um único nome em condições de disputar a Presidência da República. Até para estancar um destempero verbal qualquer do pré-candidato pedetista – um verborrágico contumaz – que poderia revidar a bobagem de Gleisi de maneira truculenta e afugentar setores relevantes da esquerda, aliados em potencial – Ciro sabe fazer isso como ninguém.

O fato é que, até aqui, a declaração de Flávio Dino é a principal mexida da esquerda alinhada ao lulismo em favor da sucessão presidencial. Pode ser que, doravante, a “companheirada” acorde para a vida, encare a realidade, desça do tamanco, e se alie a um nome que reúna condições efetivas, inclusive legais, de disputar a eleição presidencial marcada para daqui a cinco meses. Já se perdeu muito tempo com blá-blá-blás, do tipo “#LulaLivre”. É hora de procurar cicatrizar as feridas e tentar seguir em frente.



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Sobre Ricardo Marques

Advogado (OAB/MA 9572)
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