Porquê o Brasil pode não dar certo nunca

Por admin

Postado em 07/02/2018 12:35:02



O Brasil é um país de indicutível potencial, porém alguns elementos apontam que o país pode não dar certo nunca. Somos um povo com grave defeito de entendimento e prática de noções éticas e morais - brasileiro procura levar vantagem em tudo. A classe política brasileira está entre as mais corruptas do mundo, entretanto, o eleitor não está nem aí, vota em candidatos fichas-sujas, corruptos notórios - e, pior, aponta o dedo para corruptos que não lhe agradam ou não lhe trazem alguma vantagem qualquer, ainda que subjetiva, e alivia para aqueles que lhe são "simpáticos, como se possível fosse existir "bandido do bem". E quando os corruptos são expurgados da vida pública pela justiça, o povo trata de eleger a mulher, o filho ou neto do expurgado que roubou o dinheiro público.
 
Outro ponto que atenta contra o futuro do País são os poderes, inclusive o Judiciário, que deveria ser exemplo de moralidade e ética e, no entanto, se cerca numa bolha virtual para garantir benesses imorais a favor dos nossos togados. Peguemos como exemplo o caso do recém-empossado presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) - o maior do Brasil -, o desembargador Manoel de Queiroz Pereira Calças. Ao ser questionado sobre o valor que recebe de auxílio-moradia, de R$ 4,3 mil, disse achar "muito pouco” - note que o valor é quatro vezes e meia o salário mínimo.
 
Mas o escárnio não acaba aí. Excelência - que acha "muito pouco" o valor do famigerado auxílio-moradia - é dono não de um, mas de vários imóveis na cidade onde mora em casa própria. Para tentar defender o indefensável, o desembargador alega que "o auxílio-moradia é um salário indireto”. E reclama que há defasagem salarial - o salário mensal dele, sem nenhum penduricalho, é de "apenas" R$ 30,4 mil. Talvez o valor seja mesmo defasado, se levado em conta a rotina de um juiz. Diferentemente daquilo que muita gente imagina, juiz não tem vida mole, o trabalho é de fato  estafante. Mas o teto salarial é constitucional. Falar em  “Salário indireto” é forma de driblar o teto, e ninguém - juiz menos ainda - pode driblar lei.
 
Essa débil compreensão que o brasileiro tem acerca de ética tem levado muita gente achar que cada um pode agir com a ética que entende ser adequeda. É esse entendimento que embala a classe política, por exemplo, quando um deputado ou senador acha normal exigir uma 'comissãozinha' do prefeito de uma cidade beneficiada por uma emenda parlamentar qualquer por ele apresentada.
 
O futuro de uma nação cujo povo compreende ética como algo que pode ser adequada a cada situação é temerário. Seja professor, doutor, agricultor, desempregado, autônomo, funcionário público ou privado... todos têm o dever de compreender ética como algo imutável e inflexível. Mais ainda os magistrados por serem eles os julgadores. Quem tem nas mãos o destino de muita gente, de questões públicas e privadas, não pode tratar ética como se fosse algo que cada um decide individualmente, conforme as conveniências, e está tudo bem. E precisa dar  bom exemplo sempre!



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  1 comentário:

Por: Falcão

Como sempre muito bom texto,



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Sobre Ricardo Marques

Advogado (OAB/MA 9572)
Jornalista (904/MA - MTE)
Radialista (3586/CE - MTE).