Jhonatan Almada fala com exclusividade ao Blog do RM

Por RM

Postado em 16/01/2020 07:37:58



 Jhonatan Almada

Nascido em Caxias (MA), Jhonatan Almada é considerado figura destacada do Governo Flávio Dino, sobretudo naquilo que diz respeito à Educação, tendo sido secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação no primeiro governo do comunista – atualmente é reitor do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão-IEMA, onde faz um trabalho reconhecido, inclusive, por organismos internacionais. Servidor público federal de carreira (UFMA), muito jovem ainda Jhonatan Almada fez parte do governo Jackson Lago. De lá para cá construiu uma reputação de gestor competente e dono de uma sólida formação acadêmica. Graduado em História pela Universidade Estadual do Maranhão-Uema, é Especialista em Planejamento e Gestão de Políticas Educativas pelo Instituto Internacional de Planejamento da Educação da UNESCO e Mestre em Educação pela UFMA.

Jhonatan Almada é Membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Associação Nacional de Política e Administração da Educação (Anpae), Instituto Histórico e Geográfico Maranhense (IHGM), Instituto Histórico e Geográfico de Caxias (IHGC), Sócio fundador do Instituto Jackson Lago (IJL), e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas de Políticas Educacionais do Programa de Pós-graduação em Educação da UFMA. Ele já publicou 20 livros, entre eles "Planejamento e desenvolvimento do Maranhão", "Maranhão: enigmas, desafios e urgências", "Ignacio Rangel, decifrador do Brasil", "Alternância do poder político no Maranhão" e "Governo Jackson: o legado".

Recebeu inúmeras distinções e premiações, tais como: Indicação para o Prêmio Darcy Ribeiro da Câmara dos Deputados; Doutor Honoris Causa em Ciências da Educação pela Emill Brunner University; Parceiro da Socioeducação (FUNAC-MA); Diploma de Mérito em Direitos Humanos (ESA/OAB-MA); Diploma de Mérito pelo Centenário da Faculdade de Direito do Maranhão; Medalha Dica Ferreira de Parceiro da Juventude (Seejuv); Palmas Universitárias (UFMA); Homenagem da Sociedade de Astronomia do Maranhão (SAMA) e Cidadão Municipal de Imperatriz, dentre outros.

O Blog do RM conversou com o reitor do IEMA sobre vários assuntos, incluindo educação e política. Veja a seguir a entrevista exclusiva:

1 - Fale-nos um pouco a respeito de sua pessoa, de como teve início a sua história como homem público.

Primeiro te agradecer por essa oportunidade, penso que minha vida pública começa no movimento da juventude partidária e da Universidade, onde presidi o Centro Acadêmico. Sempre me mantive interessado e participante dos temas de interesse público e da política, seja apresentando minha opinião, intervindo nos debates ou exercendo funções públicas. O início mesmo se deu quando aos 16 anos elaborei planos de desenvolvimento de Caxias e do Maranhão, ambos publicados no livro “Planejamento e desenvolvimento do Maranhão” de minha autoria. O interesse pela vida pública começou aí, o desejo de ajudar na transformação da nossa realidade.  

2 - Você estudou em escolas e universidade pública e de lá para cá ocupou diversos cargos públicos, inclusive no primeiro escalão do governo do Estado. Como você define essa trajetória?

Acredito que foi a combinação de preparo e boa sorte, encontrar pessoas fundamentais que souberam valorizar e apostar na juventude. Você sabe que no Maranhão quem não pertence às famílias tradicionais da política tem mais dificuldade para acessar o espaço público, precisamos comer muito mais sal, trabalhar ferozmente e provar nosso valor todo o tempo. Isso foi possível comigo em dois governos de ruptura com o status quo local, no Governo Jackson Lago e no atual Governo Flávio Dino, seria improvável na configuração política dominante até então. 

3 – O Brasil vive tempos institucionais nebulosos, como é fazer parte de um governo estadual que tem entre as suas principais prioridades a educação?

O Brasil experimenta pela primeira vez desde a redemocratização governo de extrema direita e ultraliberal, algo novo que nos deixa perplexos, mas não paralisados. Existe outro caminho além da polarização política e nos cabe lutar de onde estamos para que ele possa ser trilhado. Ao participar deste Governo tenho o sentimento de que a luta de uma vida está sendo transformada em ações concretas agora, perto das necessidades reais dos que mais precisam.

4 – Quais os principais avanços do Maranhão no setor?

A educação pública estadual tem apresentado uma trajetória de melhoria da qualidade e inovações institucionais. O IDEB tem evoluído positivamente, escolas precárias são substituídas por escolas dignas, ocorre a expansão inédita da rede de escolas de tempo integral até então ausentes das políticas educacionais e o professor recebe o maior salário do Brasil para o regime de 40 horas semanais. A grande novidade foi a criação do IEMA, o Governo do Estado passou a atuar na educação profissional, científica e tecnológica com bastante ousadia.

3 - Qual avaliação você faz hoje da atuação do IEMA no cenário educacional maranhense? O IEMA vem cumprindo o objetivo a que se propôs?

O IEMA era uma folha de papel no diário oficial em 2015, hoje é uma instituição com 34 escolas técnicas e a única escola pública do Maranhão associada à UNESCO, são 567 no Brasil. Nos tornamos referência em olimpíadas científicas, robótica educacional, foguetes e inovação pedagógica, o IEMA é reconhecido no país e no exterior como escola de qualidade. O Governador Flávio Dino ao me convidar para o IEMA pediu para fazer a escola dos sonhos, nisso estou empenhado de forma visceral. Avançamos muito, mas sempre podemos melhorar.

4 - Como você observa o papel do IEMA na profissionalização dos jovens maranhenses e que medidas estão sendo adotadas para que essas pessoas sejam absorvidas pelo mercado de trabalho?

Hoje, oferecemos 30 cursos técnicos de nível médio e 200 cursos profissionalizantes, qualificamos mais de 35 mil maranhenses entre 2015 e 2019, nos 100 municípios em que o IEMA esteve ou está presente. O IEMA se tornou oportunidade real para jovens e adultos obterem qualificação profissional. Temos apoiado a inserção no mundo do trabalho via Plataforma ContratAÊ, onde estão todas as pessoas que qualificamos aptas à contratação, criamos o Programa de Vivência Profissional, Estágio e TCC, mantemos convênios e parcerias com 207 empresas atualmente.

5 - Qual é o principal desafio para o IEMA neste ano?

Por um lado, continuar a expansão institucional com novas Unidades, sem perder a qualidade do ensino, e por outro, conquistar parâmetro internacional de avaliação do desempenho dos nossos estudantes. Nossa equipe está dedicada a superar esses desafios.

6 - Há algumas demandas da sociedade para abertura de novos cursos? Quais são os critérios para a definição desta oferta?

Cada vez mais somos procurados por empresas, prefeituras e comunidades, a demanda por educação profissional é bastante reprimida, para que tenhas uma ideia, somente 11% do total de matrículas do ensino médio é de educação profissional, portanto, existe enorme espaço para crescermos. Nossos cursos são definidos em três etapas, estudo técnico da economia local, análise do mercado de trabalho e audiência pública para escolha dos cursos.

7 - O quantitativo de vagas estimadas para a composição do quadro de servidores é suficiente para atender aos novos cursos previstos no projeto de expansão?

Temos hoje mais de 500 servidores entre professores efetivos e bolsistas. Os processos seletivos de professores ocorrem com antecedência, atualmente dispomos de banco de credenciamento com mais de 15 mil profissionais de todo o Brasil, aptos a ministrarem aulas em nossos cursos técnicos. Desse modo, a criação de cursos é precedida pelo planejamento de pessoal docente e tem funcionado bem.

8 - Como situar o IEMA frente às instituições de ensino no Maranhão?

A UEMA possui 22 centros, a UFMA possui 9 campi, o IFMA tem 32 campi. O IEMA chega a 34 unidades no Maranhão em 2020, com 5 anos de existência institucional, o que expressa o quanto avançamos rápido. A meta é chegarmos a 100 unidades e estarmos presentes em cada uma das regiões do estado. O IEMA tem por foco a educação profissional, científica e tecnológica de nível médio e a qualificação profissional para jovens e adultos, isso nos posiciona de forma complementar às instituições públicas existentes.

9 - O IEMA já tem algum reconhecimento internacional? E quais as premiações conquistadas pelos estudantes?

Além de Escola Associada à Unesco, nossos projetos foram reconhecidos pela Plataforma da ONU de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, no Fórum de Ciências da América Latina, Mapa de Práticas Socioemocionais da UNESCO e pela Rede Mundial de Fablabs. Em 2019, nossos estudantes conquistaram 1.730 medalhas de ouro, prata e bronze em olimpíadas científicas e esportivas, a mais expressiva delas foi a Copa Mundial de Robótica na Coréia, éramos a única equipe da América do Sul.

10 - Como você acha que será o futuro da educação?

Apesar da prevalência cada vez mais intensiva da tecnologia nos processos educativos, não consigo imaginar futuro em que o professor e a escola sejam dispensáveis. Precisamos compreender que a tecnologia deve estar à serviço das pessoas no espírito das leis da robótica de Isaac Asimov. O fato concreto é que o Brasil não conseguiu fazer o dever de casa em relação às agendas educativas do século XX. A primeira década do século XXI nos legou avanços importantes, porém, somente 64 de cada 100 estudantes brasileiros conseguem concluir a educação básica, 90,9% sem saber matemática e 70,9% sem saber português. 

11 - Seu cargo exige atuação política e diálogo com políticos. Na sua trajetória há envolvimento com o movimento estudantil, você já foi filiado a algum partido? Tem pretensões de exercer algum cargo público eletivo?

Estou filiado ao Partido Socialista Brasileiro-PSB e à disposição como quadro partidário para quaisquer desafios políticos que sejam propostos, penso ser o caminho natural a seguir. Não é minha prioridade no momento, estou à serviço do projeto do IEMA no Governo. Você sabe que a renovação política não terá sustentabilidade se ocorrer nos mesmos parâmetros e práticas do passado. Acredito que mais do que representar o novo, represento outra geração, antenada às mudanças sociais do tempo presente, focada em atender de fato os interesses populares, com vontade de contribuir mais.



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  2 comentários:

Por: Tânia Maria Lima Pereira

Inteligência e competência não lhe faltam você vai longe a educação do Maranhão está no caminho certo



Por: Fenelon Bastos

Jhonatan Almada é um dos melhores quadros do Maranhão, esse rapaz tem futuro! Não sabia que é caxiense, bom saber.



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Sobre Ricardo Marques

Advogado (OAB/MA 9572)
Jornalista (904/MA - MTE)
Radialista (3586/CE - MTE).

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