Haddad precisa rever retórica de ataque ao Judiciário e às elites e buscar a moderação, se quiser ter chance de bater Bolsonaro no 2º turno

Por RM

Postado em 09/10/2018 15:28:58



 

Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) se enfrentram no 2º turno

Pela cotação de hoje, a candidatura de Fernando Haddad (PT) contra Jair Bolsonaro (PSL) não vai nada bem. Saindo do primeiro turno atrás, com 29,28% contra os 46,03% do capitão, o petista já entra na disputa carregando ainda o peso do desgaste petista e a vitória de um Congresso muito pouco afeito às suas ideias.

Isso significa que é impossível para o candidato reverter o quadro que se lhe apresenta desfavorável? De forma alguma. Segundo turno, como já ficou convencionado dizer, é outra eleição. E nessa nova disputa, é fundamental ajustar o discurso de olho naquilo que ficou de fora na primeira rodada. Aquilo, no caso, toma forma hoje como o terceiro colocado da disputa, Ciro Gomes (PDT).

Não basta um mero aceno ao eleitorado de Ciro, fechado no domingo em 12,47% dos votos. Em tese, até pela proximidade dos discursos, a maior parte dos eleitores do pedetista tendem migrar para o candidato petista naturalmente. Para vencer Bolsonaro, Haddad precisa convencer também eleitores menos radicais de Bolsonaro – sim, eles existem e são bem mais do que muita gente supõe.

Protagonismo

Figura das mais marcantes no 1º turno pelas propostas inusitadas e debate programático, Ciro pode, no centro da coordenação da campanha petista, emprestar a Haddad talvez o que mais faltou na campanha do adversário no 1º turno: Protagonismo. Até agora, o candidato petista não conseguiu passar imagem além de “mensageiro” sob a sombra de Lula e fiel defensor do ninho petista – uma Dilma Rousseff de calça.

PSDB

A situação desagradaria a militância, mas, se planeja bater Bolsonaro, Haddad precisa se afastar do ex-presidente e dos velhos caciques e começar a trilhar caminho próprio rumo ao centro – buscando até FHC e setores democratas do PSDB – o senador Tasso Jereissati talvez seja uma porta para o diálogo com os tucanos. O lulismo, hoje maior que o PT, é bom para fortalecer laços entre convertidos, mas fala muito pouco para os não adeptos.

Moderação

Em síntese, apoio de Lula levou Haddad para o segundo turno, mas não o garante na posse de 1º de janeiro. Se quiser convencer o eleitorado não radicalizado, o petista precisa abandonar a retórica de ataque ao Judiciário e às elites e buscar a moderação. Ciro, que passou o 1º turno inteiro insistindo pelo debate de propostas, precisa estar no centro disso.



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Sobre Ricardo Marques

Advogado (OAB/MA 9572)
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