Em algum lugar do passado no meu Baturité

Por admin

Postado em 24/07/2017 09:52:00



A Igreja Matriz do meu Baturité (CE)

 

Esta noite acordei às 16h de um dia qualquer de 1983. Era meio de semana. De uma semana qualquer. Hora de botar a camisa no ombro e rumar para o campo da Vila Nova – palco do tradicional racha de todo fim de tarde, fizesse sol ou chuva. A pelada nunca começava antes das 17h. Não havia pressa, o tempo parecia estar sempre ao nosso favor. A saída de casa, com uma hora de antecedência, se justificava pelo encontro antecipado com os amigos. A passagem pelo Bar do Cesar, ao lado da Matriz, era sagrada. Lá, costumeiramente já estavam - além do próprio Cesar -, Jair Bala, Ozanam, Hernani Banana, Mauro, Padre Haroldo, Tonho e o irmão Demar, Poty, Ruzim e os irmãos Moreira: Caio, Corró, Pedro e Pinga.

Mediano, o campo suportava sem agonia equipes de “um no gol e oito na linha” para cada lado. O policial Bil idealizador do campo era quem botava ordem no racha que tinha ainda o filho dele, Nim - o 'fio do Bil'. Os times eram mesclados com "atletas" de todos os bairros do Baturité (CE). Não havia time "fixo", mas era certo que eu, Ozanam e Jair Bala quase sempre dávamos um jeito de jogar do mesmo lado.  Para desgosto do Poty, que ficava enfezado com o trio que mais lhe enchia o saco do que propriamente jogava bola - sobretudo quando o time dele perdia - o que, aliás, não era raro acontecer. O então já experiente cabeça-de-área descarregava todos os palavrões possíveis e imagináveis da época. 

Sei que esse tempo passou e não volta mais. A saudade é que parece não se dar conta nunca dessa realidade doída e inexorável. Vez em quando insiste em apertar-me o peito, fazendo sangrar-me a alma.



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Sobre Ricardo Marques

Advogado (OAB/MA 9572)
Jornalista (904/MA - MTE)
Radialista (3586/CE - MTE).

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