Corrida aos postos precipita desabastecimento de gasolina em Caxias e donos de postos já falam em aderir à paralisação

Por RM

Postado em 24/05/2018 10:22:34



Uma corrida aos postos de combustíveis de Caxias (MA), na noite desta quarta-feira (23), precipitou o desabastecimento de gasolina na cidade. Ontem à tarde, empresários do setor já antecipavam que o estoque disponível daria, no máximo, para dois dias – caso persistisse o bloqueio das estradas imposto pelos caminhoneiros que protestam contra os seguidos aumentos no preço do diesel. 

Filas e mais filas se formaram na pista e nos arredores dos postos de combustíveis da cidade. Dezenas – em alguns momentos centena – de carros e motos, com condutores impacientes que buzinavam e exigiam uma rapidez impossível para os frentistas naquelas circunstâncias. Mais parecia um daqueles enredos hollywoodianos de filmes apocalípticos. 

Os empresários do setor têm feito o que podem para evitar o desabastecimento. Pelo menos três deles estão com caminhões-tanques carregados em São Luís, impedidos de retornarem à Caxias. Outro, cujo caminhão já estava na estrada, se arriscou por um caminho alternativo, espécie de “trilha”, e conseguiu chegar, porém os 30 mil litros de gasolina já se esgotaram. Carregar em Teresina (PI) não é mais possível. E não pela bitributação – que onera o valor da gasolina em R$0,17 (dezessete centavos de real) por litro. O problema é que há bloqueios no trecho da BR-316 que fica entre Caxias e Timon e na avenida que leva ao terminal de petróleo da capital piauiense, no bairro do Dirceu.

Hoje (24) vários postos de Caxias amanheceram com filas de veículos parados à espera de gasolina. Comerciantes de outros segmentos - tipo o de supermercados, por exemplo - já falam que vai faltar alimentos e outros produtos. O governo não sabe o que fazer para enfrentar a crise. Ontem, a Petrobras anunciou que vai reduzir o preço do diesel em 10% nas refinarias, por um período de 15 dias.

Sem querer ser do contra, mas na avaliação deste redator, a redução no preço do diesel, ainda que temporária, representa uma perigosa concessão ao populismo tarifário, expediente comum a que governos mal avaliados recorrem às vésperas de eleições presidenciais. Dilma Rousseff usou-o às largas. O resultado, todavia, todos lembram. 

A paralisação dos caminhoneiros segue pelo terceiro dia em todo o território nacional, ganhando força e apoio popular. Enquanto isso, em Caxias, donos de postos já discutem a possibilidade de cruzarem os braços e aderirem ao movimento. Justificam que há tempos amargam os efeitos da variação no preço dos combustíveis, e reconhecem que os caminheiros estão com a razão e que não vão dar trégua.



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Sobre Ricardo Marques

Advogado (OAB/MA 9572)
Jornalista (904/MA - MTE)
Radialista (3586/CE - MTE).

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