Chamamento à razão

Por RM

Postado em 07/09/2018 09:57:53



A foto com montagem: mentira para causar mais ódio

A foto verdadeira, sem montagem

Quando o ônibus que levava o ex-presidente Lula foi atingido à bala, na noite do 27 de março último, os petistas ficaram horrorizados com a agressão. Os antipetistas demonstraram ceticismo, muitos falaram, inclusive, que aquilo era armação. Ontem a vítima de atentado foi o candidato Jair Bolsonaro (PSL). Seus simpatizantes estão igualmente horrorizados. Os petistas, bem, esses parecem meio céticos. E teve gente falando em armação. Muitos adotaram a mesma postura dos antipetistas quando Lula fora o agredido. Em 27 de agosto passado, uma colaboradora da campanha de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara foi ameaçada com arma de fogo na porta do comitê de campanha do Psol em São Paulo por um homem que se dizia bolsonarista. Não houve reações. Aliás, quase nem se falou no fato, salvo uma e outra reportagem sem muito alarido, nada além. Como se ao país somente interessasse se tiver Lula ou Bolsonaro no meio.

O que os três casos acima relatados têm em comum? São radiografias do momento insano e perigoso que o Brasil atravessa, dividido pelo sectarismo ensandecido que parece tragar as pessoas – muitas das quais tidas até pouco tempo atrás como de bom senso.

Essa onda de intolerância que varre o país não surgiu do nada. Foi alimentada pelos líderes que ocupam os polos antagônicos. Um se aproveitou da revolta e desilusão de parte do povo com o “socialismo de compadrio” que conseguiu exacerbar a histórica e endêmica corrupção brasileira. O outro manipulou a parte do povo que enxergava no “regime” avanços sociais inegáveis, sobretudo naquilo que diz respeito à distribuição de renda e melhoria da qualidade de vida da gente mais humilde, mas se negava enxergar o nível inaceitável da falta de decência com a coisa pública.   

Ambos os líderes fazem mal a nação. Fomentam o ódio. Buscam o poder pelo poder. Manipulam seus eleitores, transformando-os em sectários cegos. Isto aprofunda o fosso que divide a nação. Essa radicalização provoca um redemoinho que extravasa o ambiente eleitoral e vira um prato cheio para os intolerantes e os que apostam na barbárie como solução, entre os quais, infelizmente, encontra-se o próprio candidato vítima do atentado de ontem.

Pior, o risco de hostilização entre os simpatizantes de um e de outro tende aumentar. Veja as fotos acima, disseminadas nas redes sociais logo após o incidente. Numa, o agressor de Bolsonaro participa de um ato político com Lula. Na outra, sem montagem, o homem não está mais lá. Ou seja, a tragédia em si não conta, o importante é tirar o máximo de dividendos políticos, mesmo através de mentiras. Ainda assim, não creio que o atentado tenha sido um crime de encomenda. A meu ver é só um louco envolvido pela onda burra de intolerância. O problema é que poderão surgir outros loucos.

É hora de as pessoas que ainda não foram tragadas por essa onda divisionista saírem da clausura.   A propagação de ideias de dominância, de ódio, é algo abominável. E é ingenuidade achar que essa deformação da sociedade brasileira esteja limitada apenas a um lado. A intolerância parte de todas as cores e campos ideológicos – só não enxerga quem está tragado. Estamos divididos e não conseguimos nos entender e nos respeitar enquanto sociedade. Isto tem me preocupado profundamente. Tenho conversado com meus filhos sobre a gravidade do momento, e procurado mostrar-lhes que a nossa gente não é assim, ou pelo menos nunca foi. Faça isso você também, ajude a salvar o futuro do Brasil!



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  3 comentários:

Por: FRANCISCO CLAUDIO RAMOS SIMIÃO

Concordo em parte com o amigo, embora devo me render ao bem escrito texto. A ordem foi desrepeitada quando não foi aceito o resultado das irnas, dai se desencadeou uma onda de sandices no meio político. Claro que as medidas adotadas por Dilma não agradou, mas, não poderiamos mergulhar o pais em uma crise,simplesmente porque uns 300 deputados não aceitavam uma presidente eleita, essa é a primeira. Depois vem a imprensa que não esta preocupada no país e sim com seus patrocinadores. Em seguida a lava jato que ja provou por A mais B que é partidária, só não ver quem não quer. Evidentemente que iria se criar uma polarização e era essa a intensão da direita nefasta do Brasil. O que eles não esperavam , é que eles estariam fora da polarização. Com isso colocaram mais e mais lenha na fogueira. O judiciário interferindo em espaços que caberia ao legislativo é outro exemplo. Vasamentos seletivos, conducoes coecitivas irregulares e enfim o julgamento sem provas de Lula, por um ato iderminado, que gerou questionamentos no mundo jurídico. Juízes se unem na decisão de manter preso o maiir lider político do país, mesmo que isso represente um mal estar mundo afora. A divisão é inevitável, não dar para evitar. Agora não vejo solução a curto prazo. Justiça desacreditada, políticos desacreditados e o Brasil desacreditado mundo afora. O ambiente hostil não foi criado por um lado ou outro mas, por um sistema que não se sente a vontade com a d e m o c r a c i a. Abraços.. É meu ponto de vista.



Por: Leônica

Infelizmente quando se trata de políticos, muitos esquecem que o ser humano que existe acima de qualquer cargo ou função. Fazem brincadeiras sem sentido, dúvidam até do que é real. Diariamente pessoas são agredidas com facas, pedras, balas, pedras e outros elementos. Só há repercussão na mídia quando é alguém com função pública. Independente de quem quer que seja devemos nos preocupar e respeitar a vítima e o sofrimento dos familiares e amigos. Não somos imunes a violência que assola o nosso país!



Por: josemar

Que este episodio com bolsonaro sirva de alerta a segurança de flavio dino. Sugiro que tripļquw a mesma porque o desespero está público e notório.



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Sobre Ricardo Marques

Advogado (OAB/MA 9572)
Jornalista (904/MA - MTE)
Radialista (3586/CE - MTE).

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