A saúde de Caxias exposta nas redes sociais

Por admin

Postado em 11/05/2018 09:58:56



Nas redes sociais pululam reclames de usuários do SUS que desabafam contra a má qualidade da saúde de Caxias - como este, “printado” aí acima, onde uma usuária diz ter passado a noite em maus lençóis na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), para onde levou sua genitora, que quase morre por negligência médica, conforme o relato.

Há mesmo muito o que reclamar da saúde pública de Caxias. E o problema não está restrito a UPA. Parece generalizado. Nos postos de saúde e nos hospitais do Município faltam médicos, aparelhos essenciais e remédios – básicos, inclusive. As ambulâncias das UBS’s e mesmo aquelas do SAMU, apresentam os efeitos da falta de manutenção. E falta, sobretudo, atendimento humanizado. Desnecessário dizer quem sofre os efeitos da precariedade geral.

É uma pena que esteja assim. E não somente a saúde de Caxias, a bem da verdade. O quadro é o mesmo em todas as cidades, sem exceção. O SUS é um instrumento fantástico, concebido pela Constituição de 1988 com o objetivo de universalizar o serviço de saúde no país – uma espécie de plano de saúde “gratuito”. Gratuito entre aspas porque há muito dinheiro envolvido no sistema – dinheiro que sai do bolso dos contribuintes e que, infelizmente, tem grande parte sugada pelo ralo da corrupção ou ineficiência de gestão administrativa. Fora o fato de o modelo que concebeu o SUS revelar-se, hoje, equivocado. O Brasil optou pelo sistema mais caro, cuidando da pessoa depois que ela adquire uma doença grave, descuidando-se da atenção primária – que previne contra a doença.

O SUS não é de todo ruim. O sistema brasileiro é reconhecido mundialmente de alta qualidade, naquilo que diz respeito a tratamentos do HIV, da esclerose múltipla ou mesmo da hepatite C. Nestes casos, os pacientes recebem gratuitamente medicamentos que não teriam nos planos de saúde privados. Além disso, o SUS oferece – também gratuitamente - centenas de medicamentos para doenças crônicas – algo que não se vê nem na França.

Entretanto, a mesma qualidade inexiste na área da oncologia, por exemplo, e outros procedimentos complexos. Fora a crônica dificuldade em conseguir atendimento nos hospitais e ambulatórios; em marcar consulta com médicos especializados; longo tempo de espera para cirurgias... E por aí vai.

Para se livrar do encargo, o governo federal agora quer empurrar as pessoas para os planos de saúde privados – chamados de “populares” - conforme proposta enviada pelo Ministério da Saúde à Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS). Bandeira já desfraldada pelo lobby dos conselhos de medicina e grandes operadoras – em entrevista ao UOL, o presidente da Unimed do Brasil, Orestes Pulin, foi apocalíptico: “o setor público não tem como sustentar um sistema de saúde para todos os cidadãos”. Mais conveniente impossível! 

Vale lembrar que, na prática, esse modelo de planos e clínicas privadas “populares” já existe. As pessoas pobres são obrigadas a gastar o que não podem para ter um atendimento médico decente, que deveria, obrigatoriamente, ser oferecido pelo SUS, conforme expressado na Constituição. 

O problema, portanto, é complexo.  Porém, esse entendimento, embora real, não deve servir de escusa para as prefeituras. E nem os usuários do sistema devem deixar de cobrar dos prefeitos e suas equipes mais qualidade no serviço, afinal, para isso eles foram eleitos e empossados – a responsabilidade final é, sim, do gestor municipal.



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  3 comentários:

Por: Leônica

Além da falta de recursos básicos para o atendimento, a pessoa reclama do despreparo de quem a atendeu, isso infelizmente é injustificável.



Por: Cidadão Caxienses

Caro Ricardo Marques, não é de hoje que a saúde pública de Caxias agoniza. Na época da gestão do então prefeito Dr. Humberto Coutinho tivemos serviços públicos com um pouco de qualidade, quase próximo do considerável aceitável. Se levarmos em consideração as atrocidades que acontecem nos hospitais de Caxias, sem falar na falta de profissionais qualificados, medicamento e até de informação para o usuário da rede. Infelizmente essa é a triste realidade da nossa cidade. Enquanto a saúde agoniza, o povo aplaudi as obras superfaturas realizada pela prefeitura.



Por: Cidadão Caxienses

Caro Ricardo Marques, não é de hoje que a saúde pública de Caxias agoniza. Na época da gestão do então prefeito Dr. Humberto Coutinho tivemos serviços públicos com um pouco de qualidade, quase próximo do considerável aceitável. Se levarmos em consideração as atrocidades que acontecem nos hospitais de Caxias, sem falar na falta de profissionais qualificados, medicamento e até de informação para o usuário da rede. Infelizmente essa é a triste realidade da nossa cidade. Enquanto a saúde agoniza, o povo aplaudi as obras superfaturas realizada pela prefeitura.



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Sobre Ricardo Marques

Advogado (OAB/MA 9572)
Jornalista (904/MA - MTE)
Radialista (3586/CE - MTE).

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