A greve perdeu o sentido

Por RM

Postado em 29/05/2018 10:03:44



A greve dos caminhoneiros entra no 9º dia de paralisação com o Brasil imerso num mar de incertezas. Impossível saber ao certo o que virá do pós-movimento. Mais perdido do que o povo, só os políticos que ainda não encontraram uma maneira de tirar uma casquinha qualquer do movimento – estão perdendo o feeling. Por enquanto, de concreto mesmo, o que já se sabe é que vai sobrar para o povão uma conta de R$ 10 bilhões – valor estimado por especialistas para cobrir o rombo do pacote de concessões arrancado do governo. 

Aliás, o governo cedeu em todos os pontos da pauta apresentada pelos caminhoneiros – dá nem para dizer que houve negociação. Michel Temer é um zumbi sem o menor poder de reação.  Um governo com esse nível de fragilidade é alvo fácil para qualquer categoria, sobretudo uma que praticamente detém o monopólio do transporte de bens, inclusive aqueles de última necessidade. 

Os caminhoneiros estavam certos em sua motivação inicial para parar o país. Com a inflação rodando em 3%, o óleo diesel e a gasolina tiveram aumento em torno de 59%, desde que a Petrobras adotou a nova fórmula de reajustes, acompanhando a variação internacional do preço do petróleo, em julho do ano passado. Para contornar o problema, o governo tem pouca margem de manobra, pois não pode recuar na política de preços da Petrobras. Daí porque, quem vai pagar o pato dessas concessões é o povão, como sempre.

O item que serviu de combustão para o início da greve dos caminhoneiros foi mesmo o valor do diesel – fator primordial no apoio e engajamento popular. Este ponto da pauta foi amplamente contemplado com a redução de R$ 0,46 no litro do óleo – muito além daquilo que a categoria imaginava obter. Percebendo a fragilidade do governo Temer, os grevistas foram além e esticaram a pauta de reivindicações. 

E agora, quando o abastecimento já deveria estar normalizado – ou pelo menos caminhando para isso –, eis que a greve vira um samba do crioulo doido sem previsão de término. Tem malucos que se aproveitam do momento para pedir “Lula livre”. Outros “a volta da ditadura”. Tem também os que são “contra tudo que está aí”.  No meio do fogo cruzado – e meio atônito porque a ficha ainda não caiu direito –, tem o contribuinte que apoiou a paralisação acreditando que o preço da gasolina também iria cair.



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Sobre Ricardo Marques

Advogado (OAB/MA 9572)
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Radialista (3586/CE - MTE).

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